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Pessoas que mudam o mundo: Empório Figueira por Rayane

Pessoas que mudam o mundo: Empório Figueira por Rayane

Aos 24 anos, Rayane queria ser uma empresária diferente, estava trabalhando com exportação e, insatisfeita com os padrões e a rotina massiva, abandonou a carreira para abrir um negócio ousado: um e-commerce de produtos naturais, o Empório Figueira.
“Queria algo que tivesse significado.Quando me imaginei como empresária pela primeira vez não queria ser “padrão”, queria e precisaria ser mais do que apenas isso”, conta ela, que abriu a empresa junto com um sócio.
Inicialmente o Empório era somente online.
Hoje, dois anos depois da empreitada, eles abriram a primeira loja física em Santo André, região do ABC. Na internet, vendem para o Brasil todo - atacado ou varejo. “Acredito em projetos que visam a transparência, a qualidade de vida, o equilíbrio, a sustentabilidade, a inovação, a acessibilidade a todos, a conexão e a energia com as pessoas envolvidas”, diz a empresária.
A alimentação mudou a sua forma de ver o mundo? “Sempre me dediquei muito nas pequenas atitudes diárias para transformar o mundo em um lugar melhor, mais sustentável e igualitário. Gosto de pensar que o Empório é uma forma pequena (ainda) de poder ajudar as pessoas e de fazer a diferença. De ser uma dessas pequenas atitudes”.


Relações reais

“Hoje, no mundo virtual e na maioria das grandes instituições tudo é sempre muito robotizado, falta o contato humano e isso é algo que acredito também que falte no mundo de uma forma geral. Na Figueira, o cliente pode falar com a gente por um chat online, whatsapp, telefones e e-mail, qualquer meio de comunicação que lhes for mais confortável, trazendo essa proximidade, para que através dela eu consiga estar sempre em um processo constante de evolução, não apenas conquistando clientes, mas fazendo eles amarem a nossa loja”.

Mudar o mundo
Para ela, a Empório significa muito mais do que o estilo de vida diferente que buscava no início, ela representa algo maior. “Me faz acreditar que com meu trabalho levo acessibilidade de uma alimentação mais saudável às pessoas; orientar nossos clientes com dicas e receitas; e que podemos ajudar as pessoas com intolerâncias e restrições alimentares a encontrarem produtos diferenciados ou que estejam precisando”.


Rayane Estevan tem 26 anos e é de Santo André, São Paulo. É sócia do Empório Figueira produtos naturais, loja física e e-commerce para todo o Brasil.


Sobre a figueira
A inspiração para o nome do Empório veio de uma árvore cheia de simbologia. Budistas, hindus e jainistas têm venerado essa árvore por mais de dois milênios. Ela aparece em hinos da civilização védica datados de 3,5 mil anos. E está presente em muitas histórias: de ficção, folclore e ritos.
Além de simbolizar a fertilidade, seu fruto sustenta mais animais do que qualquer outro tipo de fruta. Há mais de 1,2 mil espécies que comem figos, incluindo um décimo de todas as aves do mundo, quase todos os morcegos que se alimentam de frutas e dezenas de tipos de primatas.Não só isso. Suas raízes ajudam a regenerar a vegetação e são fortes o bastante para servirem de pontes naturais em locais de difícil acesso.Veja mais sobre as figueiras: https://www.bbc.com/portuguese/vert-earth-39450649



Laila Mengarda

Laila Mengarda

Eu sou Laila Mengarda.

Nascida e criança em uma cidade pequena, Timbó, em Santa Catarina.
Desde cedo, pés descalços, animais, verde, água, liberdade do mesmo tamanho da responsabilidade.
Educada por mulheres fortes, minha nona Almida, com sua polenta, com o queijo que ela mesma curava, os ovos e a galinha caipira no fogão a lenha, tudo, tudinho feito e criado por ela.
Super poderes.
Do outro lado, aos finais de semana e férias, minha oma Selmira, e sua tradição alemã, com as sobremesas mais doces do mundo e muita nata com doce de leite.
Era imaginar algo, desejar em voz alta e tava lá, um pudim quentinho e doce.
As brincadeiras eram ao ar livre, em contato com animais, com frutas do pé.
Era um shopping a céu aberto. Infinitamente maior. 
Deve ser por isso que nunca gostei de ambientes fechados. Nem das regras.
Tinha vaca, galinha, porcos, abelhas, pássaros, cavalo.
Peixes em rios doces e lagoas repletas de carpas laranja.
O leite vinha direto da vaca, no rancho ali perto, e quando alguém abatia um dos seus animais, a troca acontecia entre os vizinhos.
Adoeceu? Vamos lá na benzedeira. Rezos e ervas, 3 dias depois todo mundo bem.
Quando não era minha nona dentro do rio rezando com seu terço.
Tudo se fazia em casa, aos domingo os almoços eram repletos de gente: a família toda se reunia, minha nona e minhas 8 tias na cozinha, preparando polenta, massa fresca, galinha na panela, maionese, muita salada de repolho e sempre tinha pepino em conserva.
Infância rica, oh sorte a minha!
Tive a natureza como mãe também, me nutrindo, observando, avisando quando algo estava indo para o caminho menos seguro. Intuição.
Juventude vibrando internamente. 
O mercadinho estava mais perto, mais comida sem precisar plantar.
Cidade grande, faculdade. Sair da cidadezinha e conhecer o mundo.
Não foi no Direito que encontrei o que buscava, mas com toda certeza, ele foi fundamental para estar onde hoje estou.
Para enxergar com clareza.
Insatisfeita no trabalho, cheia de questionamentos, buscando um sentido pra tudo isso, 27 anos.
E agora, o que eu vou fazer?
Uma viagem, alguns insights, um documentário: Cowspiracy.
Mergulho em um processo lindo, de auto-conhecimento, através do estudo xâmanico, encontro lideranças indígenas, entro em contato com outro tipo de consciência e de respeito a natureza.
Nessa fase, o objetivo era 30 dias de uma dieta vegana.
Tirar tudo da despensa, começar a ler rótulos no mercado (levava muito tempo, mesmo!), ir para a cozinha.
A cozinha que estava lá atrás no meu passado, mas que desde que mudei pra cidade grande, tinha ficado esquecida. Meio que um bicho de sete cabeças.
No máximo eu fazia um sanduíche e olhe lá.
Preferia cortar os vegetais e lavar a louça, pra outra pessoa cozinhar.
Medo bobo né? Sabia de nada.
Todo dia uma aventura, uma descoberta.
Queijos veganos no mercado, lasanha, tinha bastante coisa.
Mas nada era assim, gostoso.
Eu queria sentir gosto! Sabor. Prazer. Sempre gostei muito de comer. Comer bem.
Cesta de orgânicos chegando, vegetais gostosos, Chão na Vila Madalena, Feira do Ibira, do Água Branca.
Uma loucura descobrir cenoura roxa, branca. Beterraba amarela, uma couve crespa diferentona, temperos, grãos.
Cheiros e Cores.
Queria os vegetais, os orgânicos. Queria comer bem.
Pintrest, uma ferramenta maravilhosa para quem quer cozinhar.
Tem de tudo lá, e você já treina seu inglês.
Receitas, receitas, receitas, comida o dia todo.
Minha cozinha ficando repleta de novos alimentos, começo a cozinhar, experimentar, cada dia mais. 
Porque não gerar meu sustento através da cozinha? Descobrir a cozinheira que havia em mim, deixar ela aflorar. 
Plimmm: algo que existia lá dentro, que estava esquecidinho e apagado, ascendeu com muita força. Eu já não queria mais ir ao escritório, não queria advogar, meu e-commerce tava lá, parado.
Porque não? Sim! Com certeza. Bora lá.
Daí nasceu o projeto Vegan Easy Organic Fresh Food.
Escola da vida, escola de empreender, de aprender sobre mercado, de entender um pouco mais de publicidade, mídias, alcance e tudo mais.
Idéia inovadora, todo dia me desafiava a criar receitas fáceis, para quem como eu, não tinha experiência na cozinha, mas queria sabor, beleza, criatividade, praticidade.
Foi minha escola de gastronomia, foi como me tornei cozinheira por ofício, me profissionalizando.
Mas era um negócio. E minha alma não buscava um negócio.
Tava um pouco cansada dessa pressão ser "empresária", empreender, ter uma startup.
Ainda não era aí que minha alma iria repousar.
Uma casa, eventos, pessoas, rede.
Rede.
Começo a tecer minha rede.
Resgatar. Reconectar. Reaproximar.
Pessoas, projetos, amigos, amigos dos amigos.
Apresentar iniciativas, receitas, gatilhos, pessoas.
Tudo isso através de uma nova forma de como nos alimentamos.
Uma nova antiga maneira de pensar em comida, em comer.
Que desperta nossa criatividade, nossa forma de interação e nosso respeito com a natureza.
Com nossos semelhantes, nossos ancestrais.
Que re-conecta, que conecta, que troca.
A cozinha, o centro da casa, das relações.
Das nossas memórias afetivas.
Amor.
Conectar a transformação e a mudança através do que a gente come.
Criar a mudança.
E assim, nasce a Cozinha Reconectiva.
E também nasce uma rede, de buscadores e transformadores, com comida limpa e natureza protegida. 

Sou grata!

 

 

 

*Foto: Leandro Godoi